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Casas mais acessíveis
Um novo produto, desenvolvido com tecnologia ambiental, busca reduzir os custos na construção civil de moradias populares
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| Outubro/2003 |
Edição 45 |
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 Casa popular: construída com material ambientalmente
correto e de baixo custo
Construir casas populares, 40% mais baratas que as tradicionais moradias de alvenaria existentes no mercado. Além da redução nos custos da obra, oferecendo outras vantagens, entre elas, menor tempo para a construção e isolamento térmico e acústico da casa. Pode parecer algo impossível, mas não é. Quem garante é o pesquisador e inventor Vicente Gómez, um espanhol radicado no Brasil há 49 anos, responsável pelo desenvolvimento de um novo produto, com tecnologia ambiental aplicada na construção civil, que já está despertando o interesse de Organizações Não Governamentais - ONGs, da Europa e dos Estados Unidos.
Aos 77 anos de idade, Vicente Gómez, que já tem mais de 50 inventos patenteados, dedica-se a encontrar soluções que melhorem a qualidade de vida das pessoas, principalmente, as de baixa renda. Morando em Curitiba, no Paraná, ele criou a Argamassa Gómez, um solo-cimento que tem na sua composição, pó obtido da raspa de pneus velhos. Com esta matéria-prima, o pesquisador e uma equipe de engenheiros, administradores e empresários, construiu em apenas dois dias, uma casa térrea, de 52 metros quadrados. O objetivo do projeto-piloto, é tornar públicos os resultados da pesquisa e, despertar o interesse comercial de empresas da construção civil, governos e da comunidade, para a nova tecnologia.
O baixo custo, aliado a uma tecnologia que preserva o meio ambiente, pois a mistura da matéria-prima é realizada em betoneiras, no próprio canteiro da obra, sem queima de madeira ou carvão, como acontece com os tijolos usados na alvenaria comum, segundo o inventor da Argamassa Gómez, “é também uma alternativa viável para solucionar o problema das favelas, no Brasil e no mundo, oferecendo uma moradia que garante melhor qualidade de vida àqueles que beiram a faixa da miséria”, afirma Vicente Gómez.
Solução para eliminar
as favelas
A argamassa desenvolvida por Gómez, apresenta algumas vantagens em relação a outras tecnologias, comprovadas em testes de laboratório. Funciona, por exemplo, como micro-junta de dilatação, impedindo que ocorram fissuras e rachaduras na construção; permite um maior conforto em relação ao isolamento térmico e acústico; com o passar do tempo, aumenta a resistência e, pelo fato da casa ser monolítica (toda a construção é realizada em blocos, fabricados em formas, num processo semelhante ao que é feito com o concreto), dispensa o uso de ferragens. “Como a forma já é montada com as janelas, portas, conduítes elétricos e tubulações em seu interior, ao ser desmoldada, o que é feito em dois dias, a casa já se encontra praticamente pronta, necessitando somente o telhado e o acabamento para a sua conclusão”, explica o inventor. Ainda segundo ele, a qualidade apresentada pela superfície das paredes, ao serem desmoldadas, “é tão boa que a pintura pode ser feita sem a aplicação de emboço e reboco”.
A tecnologia simples de ser utilizada, ambientalmente correta e de baixo custo, já despertou o interesse de uma ONG da Europa para a construção de casas populares na África e, também, nas regiões Norte e Nordeste do Brasil. “Estamos negociando a venda da tecnologia para esta Organização Não Governamental, mas esperamos despertar o interesse nas prefeituras brasileiras. Este meu invento e os outros 50, já patenteados, têm a finalidade de ajudar as pessoas, principalmente as mais pobres. É a minha contribuição para reduzir as desigualdades sociais, tão presentes neste país”, finaliza Vicente Gómez.
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